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Mudança Estrutural da Esfera Pública: Investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa

In Jurgen Habermas, Teorias do Jornalismo on 14 de julho de 2010 at 02:17

Gustavo Frederico

Juliana Spaciari

Habermas traça em “Mudança estrutural da esfera pública” um panorama histórico sobre a evolução e desenvolvimento de conceitos inerentes à população enquanto ativa e crítica ao contexto social da época, seja esta qual for. Traçando paralelos entre termos que transitam de privado a público, o filósofo constitui a identidade da esfera pública de modo a protagonizá-la em épocas nas quais a criticidade do povo era sub-categorizada quando não, ignorada.

Habermas

Habermas

A partir da história grega da constituição de polis, surge o conceito público para definir a ideia central de esfera pública. Com o desenvolvimento do poder público a esfera perde um pouco sua essência e transforma-se em algo mais restritivo, que apenas definiria a reunião do povo enquanto estes estão ativos e participativos em questões políticas e sociais.

A ascensão da burguesia e seu interesse pela participação deste na esfera pública era apenas uma representação social do privado reunido a público. Com isto Habermas começa desenhar outra dicotomia sintomática do privado tomando partido do público, ao situarem-se em extremos o conceito público e privado são definidos distintamente. Mas, para Habermas, a dependência entre ambos e a co-existência é o que leva ao poder de definição do público enquanto não privado.

A esfera pública ganha força quando agrupa questões políticas, literárias e sociais, e cria um choque de ideias, uma vez que ativamente participantes, o povo passa a questionar tais ideias em âmbitos centrais distintos levando a público a inquietação perante a privacidade do que é realmente assunto público, principalmente referente a política que passa a ser o norte de Habermas para continuar discutindo a esfera pública enquanto fator social decisivo para assuntos e temas a serem levados a público pelo público.

Desta forma têm-se um público consumidor de cultura provindo da esfera pública de diversos tipos, inclusive literatura e política. As notícias estão assumindo formas de disfarce, pois são equiparados a uma narrativa desde o formato até o detalhe estilístico.

O rádio, televisão e cinema levam gradualmente ao desaparecimento da distância que o leitor precisa guardar ante a letra impressa. Ainda tratando sobre o desenrolar evolutivo da comunicação de massa, Habermas dialoga com a história.

As novas mídias modificam a forma de comunicação enquanto tal, eles cortam de um modo singular as reações de receptor. Eles cativam o público enquanto espectador e ouvinte, mas tiram-lhe a chance de poder dizer e contradizer.

A cultura difundida através dos meios de comunicação de massa é informação e raciocínio, formas publicitárias e formas literárias, assimila também elementos de propaganda. A esfera pública assume funções de propaganda.

Segundo Habermas, a imprensa foi inicialmente organizada em forma de pequenas empresas artesanais, o cálculo era feito baseado nos lucros, interesse puramente comercial. Sua atividade era organização da circulação das noticias e verificação dessas notícias.

Mas a imprensa de informação evoluiu para uma de opinião e o jornalismo literário passou a concorrer com a mera redação de avisos.

Bücher descreveu essa evolução:

“Os jornais passaram de meras instituições publicadoras de noticias para, alem disso, serem porta-vozes e condutores da opinião publica, meios de luta da política partidária. Isso teve, para a organização interna da empresa jornalística, a conseqüência de que, entre a coleta de informações e a publicação de noticias, se inseriu um novo membro: a redação.

Mas, para o editor de jornal, teve o significado de que ele passou de vendedor de novas noticias a comerciante com opinião publica”

A obtenção única de lucros passou para um segundo plano. Com isso, muitos escritores e homens bancavam os jornais. No começo do século XIX, a relação entre editor e redator se dava meramente por uma questão empregatícia, muitas vezes o redator participava dos lucros.

Somente com o estabelecimento do Estado burguês de direito e com a legalização da esfera pública politicamente ativa é que a imprensa crítica se alivia das pressões sobre a liberdade de opinião.

O jornal também evolui para um empreendimento capitalista. À medida que a esfera pública é tomada pela publicidade comercial, as pessoas privadas passam a atuar como proprietários privados sobre pessoas enquanto público.

Ao longo do tempo a publicidade toma conta dos órgãos publicitários existentes e também cria seus próprios  jornais, revistas e cadernos. A publicidade consegue prestígio público para uma pessoa ou uma questão assim torna-se altamente aclamável num clima de opinião não-pública.

Essa publicidade passa também para a pressão política. A central relação de público, partidos e parlamento estão subordinados à esfera pública, os próprios partidos também se entendiam nesse quadro da esfera pública como formadores de opiniões.

Com a mudança de função do parlamento, a publicidade torna-se princípio de uma integração forçada.

Ainda hoje as atividades dos órgãos estatais são públicas, para formação  de outra opinião. Assim como a questão do voto, a corrente opinião pública é praticada por grupos mais elevados, homens casados numa faixa etária de 35 a 55 anos.

Conforme Habermas, a nova esfera pública submete-se a configuração em que se encontra enquanto forma decadente da esfera pública burguesa. Uma função da esfera pública agora é o da propaganda. Os partidos são obrigados a influenciar as decisões eleitorais de modo publicitário surgindo o marketing político.

Os meios de comunicação de massa surgem apenas como transmissores de propagandas.

Opinião pública possui outro significado caso seja como uma instância crítica em relação à “publicidade” no exercício do poder político e social na relação com a publicidade difundida, sendo ela utilizada para pessoas e instituições, bens de consumo e programas.

Não há como unificar uma grandeza singular para a opinião popular com a sua figura singular. Mas há diferenças entre “publicidade”/publicidade e opinião pública. O Estado moderno pressupõe como a sua verdade a opinião pública. Considera-se “pública” a opinião de um grupo quando ela subjetivamente se impôs como a opinião dominante.

Segundo o autor, um conceito de opinião pública que historicamente tenha sentido em termos normativos, teoricamente claro e aplicável só pode se realizar a partir da própria mudança estrutural da esfera pública com a dimensão do seu desenvolvimento.

Nas opiniões não-públicas encontram-se as questões culturais que são óbvias, geralmente excluído da própria reflexão, o exemplo que o autor expõe é a pena de morte moral sexual, de modo a definir um tipo de questão relativamente cultural que exclui o senso uno do cidadão e aplica o senso comum. Depois os assuntos que causam choques e mobilizam opiniões como posicionamento perante a guerra. Por ultimo está o lado da industria cultural, o bombardeio publicitário.

De modo que temos a opinião quase pública. Opiniões que circulam num meio estreito, além da massa popular entre imprensa política e jornalismo opinativo. Mesmo tendo um público amplo, essas opiniões não preenchem as condições de pensamento público de acordo com o modelo liberal.

No final de seu livro Habermas, expõe que o contexto comunicativo de um público, só consegue estabelecer-se de modo que o circuito há pouco fechado da opinião quase pública passa a ser intermediado com setor informal  das opiniões não-públicas, através de uma publicidade crítica feitas em esferas públicas internas à organização.  Enfim, na mudança da esfera pública, “publicidade”/publicidade pode ser uma categoria histórica vulnerável a uma alteração substancial.

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